Vinte anos depois, informar continua sendo nossa escolha

Foto: Ilustrativa/ Divulgação/ UNITVSC

Por Ildo Silva da Silva
Jornalista e diretor-geral da UNITVSC

Há exatamente 20 anos, quando a televisão que hoje conhecemos como UNITVSC começava sua história, uma eleição estava diante de nós.

Era 2006. A emissora ainda dava seus primeiros passos e, praticamente junto com o início de sua programação, assumia uma de suas primeiras grandes responsabilidades jornalísticas: acompanhar as eleições.

Não poderia haver um começo mais simbólico.

Uma televisão regional nasce para estar perto. Perto das pessoas, das cidades, dos acontecimentos e também das decisões que interferem diretamente na vida da comunidade.

De lá para cá, passaram-se duas décadas. Mudaram os equipamentos, a tecnologia, a velocidade da informação e a maneira como as pessoas consomem notícias. A televisão ganhou o ambiente digital. Vieram as redes sociais, as transmissões pela internet e o portal de notícias.

Uma coisa, porém, não deveria mudar: a responsabilidade de informar.

Eleições fazem parte da nossa história

Ao longo desses 20 anos, acompanhamos eleições municipais, estaduais e nacionais.

Entrevistamos candidatos a prefeito, vice-prefeito, vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, governador e outros protagonistas do processo político. Realizamos debates. Levamos jornalistas às ruas. Acompanhamos votação e apuração. Abrimos nossos estúdios para que propostas fossem apresentadas e confrontadas diante da sociedade.

Essa trajetória criou uma responsabilidade ainda maior.

A UNITVSC não existe para dizer ao eleitor em quem ele deve votar.

Existe para oferecer elementos para que cada cidadão possa fazer sua própria escolha.

Há uma diferença fundamental entre essas duas coisas.

O jornalismo não deve substituir a consciência do eleitor. Deve ajudá-lo a conhecer os fatos, ouvir propostas, comparar ideias, compreender posições e formar sua própria opinião.

É exatamente por isso que uma emissora regional tem uma função particularmente importante durante uma eleição.

Todos precisam ter o direito de falar

Uma eleição democrática pressupõe diversidade.

Existem candidatos de direita, de esquerda, de centro e daqueles que preferem outras classificações. Existem pensamentos liberais, conservadores, progressistas, sociais-democratas e inúmeras combinações entre eles.

Uma televisão que se propõe a fazer jornalismo precisa compreender essa diversidade.

Abrir espaço para diferentes correntes políticas não significa concordar com todas elas.

Significa compreender que a função do veículo de comunicação não é escolher qual ideia o cidadão pode conhecer.

Nosso compromisso deve ser oferecer condições equilibradas para que posições diferentes possam ser apresentadas, dentro das regras eleitorais e jornalísticas.

O eleitor assiste.

O eleitor compara.

O eleitor decide.

Parece simples. Mas, em tempos de polarização, talvez seja um dos compromissos mais importantes que o jornalismo pode assumir.

Informação antes da opinião

Vivemos um período em que praticamente qualquer pessoa carrega um veículo de comunicação no bolso.

Uma notícia, verdadeira ou falsa, pode percorrer milhares de quilômetros em segundos. Uma imagem pode ser retirada de contexto. Um vídeo pode ser editado. Uma afirmação pode ganhar aparência de verdade depois de ser repetida muitas vezes.

Por isso, paradoxalmente, nunca tivemos tanta informação disponível e, ao mesmo tempo, tanta necessidade de jornalismo.

Cabe aos veículos profissionais verificar, contextualizar, ouvir os envolvidos e separar notícia de opinião.

Isso também significa reconhecer erros quando eles acontecem e preservar uma regra essencial: o fato deve estar acima da preferência pessoal de quem o noticia.

Jornalistas também são cidadãos. Têm pensamentos, experiências e opiniões. Mas o exercício profissional exige outra postura.

O público precisa encontrar na reportagem informação suficiente para chegar às próprias conclusões.

A eleição não pertence aos candidatos

Durante uma campanha, é natural que boa parte da atenção esteja concentrada nos candidatos.

Mas uma eleição não pertence aos candidatos, aos partidos e muito menos aos veículos de comunicação.

Ela pertence ao cidadão.

São milhões de brasileiros que, diante de uma urna, tomam individualmente decisões cujos efeitos serão coletivos.

Em Santa Catarina, serão escolhidos representantes para diferentes funções. Cada cargo possui responsabilidades próprias e, justamente por isso, conhecer quem disputa essas funções não deveria ser uma decisão tomada apenas por identificação partidária, por uma postagem nas redes sociais ou por uma frase retirada de um discurso.

Informar-se faz parte do processo democrático.

Conhecer propostas também.

Examinar trajetórias, ouvir posições diferentes e procurar informações confiáveis também.

Nenhum veículo de comunicação deve dizer qual é a escolha correta.

Mas pode — e deve — lembrar que escolher conscientemente é responsabilidade de cada cidadão.

Do canal de televisão ao portal

Em 2006, nossa principal ferramenta era a televisão aberta.

Hoje somos televisão, portal, redes sociais, vídeo sob demanda e diferentes plataformas digitais.

A tecnologia ampliou nossa capacidade de chegar às pessoas, mas também ampliou nossa responsabilidade.

Uma entrevista que antes era assistida apenas no horário de exibição pode hoje permanecer disponível durante toda a campanha. Um debate pode ser revisto. Uma notícia publicada no portal pode ser consultada a qualquer momento.

Essa transformação fortalece uma missão que estava presente quando a emissora nasceu: aproximar informação e comunidade.

A UNITVSC completa 20 anos justamente no momento em que o Brasil realiza mais uma eleição geral.

Há algo de significativo nisso.

Começamos nossa história cobrindo uma eleição e, duas décadas depois, seguimos fazendo aquilo que entendemos ser parte de nossa razão de existir.

Ouvir.

Perguntar.

Informar.

Dar espaço às diferenças.

E respeitar a inteligência de quem está do outro lado.

Porque democracia também se constrói quando existem espaços onde opiniões diferentes podem ser apresentadas sem que o cidadão seja tratado como alguém incapaz de formar sua própria convicção.

Depois de 20 anos, nossa responsabilidade continua a mesma.

A decisão é do eleitor.

A informação é nosso dever.